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Jeff fala sobre SP e novo cenário musical em entrevista

O guitarrista do Simple Plan, Jeff Stinco, concedeu uma entrevista ao site europeu Igeretes Titanok, publicada na última segunda-feira (19). Na conversa, o músico falou sobre o começo do Simple Plan, o surgimento de novas bandas, a transição do mercado musical analógico para o digital e muito mais. Confira a entrevista completa traduzida pela nossa equipe:

A banda canadense Simple Plan está em turnê pela Europa agora. Eles tocaram na Hungria, no Budapest Park também. Então, nós nos sentamos com o guitarrista da banda, Jeff Stinco, para conversar sobre o começo da carreira, nos anos 90, filmes adolescentes, boybands e um dos assuntos mais interessantes do mundo deles: por que Jeff acha ‘que eles são provavelmente a maior menor banda do mundo?’ (com 9 milhões de seguidores no Facebook?).

O Simple Plan completará 20 anos em breve. Você já pensou que a banda viveria e estaria no palco por tanto tempo? Ou você pensou ‘Aconteça o que tiver que acontecer. Nós estamos nos divertindo e nada mais importa’?

Precisa existir algo inocente em você quando você começa uma banda. Precisa ser algo imaturo, precisa ser ambicioso e um pouco irrealista. Nós estávamos falando sobre viajar pelo mundo. Nós éramos da época em que você via clipes e DVDs de bandas. Você via o Metallica tocando na Áustria, tocando em Moscou. Você via o Pearl Jam fazendo turnês pelo mundo e você dizia ‘Eu quero fazer isso, sabe?’ Nós realmente acreditávamos que podíamos viajar pelo mundo. Mas o ruim de viajar por vinte anos é que, quando você é novo, você nem quer ter 25 anos. Quando começamos essa banda, tínhamos 18, 19 anos. Então, para nós, ter 30 era ser velho. Nós ficávamos tipo ‘Aqueles são homens velhos’, sabe? ‘Eles não podem estar no palco.’ Então, essa era a filosofia daquela época. E eu acho muito incrível. O fato de estarmos pelo mundo por esse tempo na verdade muda muita coisa para nós. Eu acho que, no tempo em que éramos jovens, muitas pessoas queriam nos contratar: ‘O que é essa banda? É uma banda pop? É uma banda de rock? É uma banda de pop-punk?’ E agora, as pessoas sabem o que o Simple Plan é e apoiam a banda ou não. Acho que o fato de estarmos ao redor do mundo por tanto tempo prova que estamos fazendo algo certo. E há menos debates sobre ‘O que é essa banda?’, ‘O que ela representa?’. É mais sobre as pessoas agora saberem o que nós representamos, o que nós apresentamos.

Vocês parecem uma banda da direita sob a luz do sol californiano ou do sul dos Estados Unidos, mas, na verdade, vocês são do Canadá. Realmente importa de onde vocês são, de qualquer forma? Como é possível lidar com a situação de que, de um jeito ou de outro, vocês são/eram estranhos? Foi mais difícil ser um sucesso naquele cenário sendo uma banda de Montréal?

Quando você cresce, você tropeça pelas bandas. Crescer há vinte anos, há trinta anos, não é o mesmo do que agora. Nós não tínhamos a internet. Então, você ouvia sobre as bandas que vinham para a sua cidade e simplesmente acontecia que bandas como Lagwagon, No Us For a Name e Face to Face, bem como o Green Day, iriam para Montréal e fariam shows, e isso realmente nos motivou. Eu me lembro de ir a um show do Dough Boy. Você não os conhece, é uma banda local, mas eles tocavam um punk rock bem agressivo, e eu fiquei tipo ‘Puta merda! É isso o que eu quero fazer!’ Crescer em Montréal foi interessante, pois lá não há cenário musical. Nós somos de um lugar francês, onde a maioria das pessoas fala francês. E lá, há um movimento separatista. Então, você não pode cantar em inglês quando fala francês. Agora é diferente. A geração mais nova não se importa. Eles não dão a mínima, mas nossos pais se importavam! ‘Por que diabos você está cantando em inglês?’ ‘Bem, estamos ouvindo aquelas bandas e nosso gênero musical é muito amarrado para o idioma.’ Tão interessante quanto isso, é que tivemos que deixar Montréal para termos uma carreira. Então, nós começamos em Nova York, Buffalo, Toronto e fizemos nossos caminhos em direção aos Estados Unidos gradativamente. E foi assim que funcionou. Nós basicamente tivemos que nos exilar de Montréal para trabalhar, mas foi algo bom para nós. Pela necessidade, veio algo legal, mas nós tivemos que sair.

Vocês já tiveram uma situação na qual sentiram que as pessoas dos Estados Unidos viram vocês e sussurraram ‘Ei, esses caras são do norte, do Canadá, mas estão tocando  músicas do sul, meio pop punk. O quão estranho é isso?’ Vocês já passaram por alguma desvantagem por causa disso? 

Nosso vocalista, Pierre Bouvier, canta sem acento. A língua dele é o inglês, então, por muito tempo, as pessoas não sabiam que éramos do Canadá, exceto se você falasse com o Sébastien, nosso outro guitarrista, que mal falava inglês. Agora ele fala, mas na época, não. Então você poderia ouvir o acento dele e dizer que ele não era dos Estados Unidos. Quando o Pierre falava nas entrevistas, não é algo com o qual fizemos marketing, tipo ‘Sim, nós somos do Canadá’. Nós só estávamos meio que divulgando a nossa música. Foi muito interessante. Demoraram anos para alguma coisa acontecer. Durante esses anos fazendo turnês pelos Estados Unidos, o assunto sobre nós sermos do Canadá não foi muito discutido. Levaram muitos anos para as pessoas realmente perguntarem: ‘De onde vocês são?’

Há alguns dias, eu li um artigo na Vice’s Noisey sobre ‘Se lembra quando todos os filmes que passavam à meia-noite tinham uma banda de pop punk neles?’ Vocês estão nessa lista. Foi tão engraçado relembrar aqueles dias em que isso era verdade. Todo filme adolescente precisava das então chamadas ‘bandas teen’. Porém, também é fascinante que todo o cenário musical mudou em muito pouco tempo. Foi o que aconteceu aquela vez em que isso parecia uma galáxia distante de agora. O que você acha que aconteceu nos últimos 15 anos? 

A melhor coisa que aconteceu com a gente foram as boybands, pois as pessoas estavam tão cansadas de ouvi-los. Duas coisas aconteceram, na verdade. As pessoas pensaram que, depois de Offspring e Green Day, esse cenário acabaria. E então, as boybands se tornaram muito fortes, e as pessoas quiseram ouvir a coisa de verdade. Então, bandas como Sum 41, Good Charlotte e nós realmente mandaram super bem. Acho que foi uma resposta a tudo isso. Nós éramos garotos em bandas, mas não éramos boybands. Acho que isso serve como um propósito. As pessoas queriam melodias, mas queriam algo mais real. Com o passar dos anos, a internet mudou tudo. As pessoas começaram a fazer download de músicas ilegalmente e isso meio que matou a indústria. Não foi tão ruim para nós porque não vendíamos muitos álbuns. Vendemos alguns, mas não tudo o que fizemos. Nós estávamos muito em turnê e isso nunca mudou ao longo dos anos. Mas aí, apareceram os serviços de streaming e eu acho que isso nos fez ressurgir. De repente, nós estávamos em playlists, e de repente, todas essas pessoas jovens que não tinham ideia do que o Simple Plan era, ouviram sobre nós. Então agora, a questão das pessoas com diferentes idades nos shows, acho que tem muito a ver com isso: com as playlists, os serviços de streaming.

Como uma banda pode sobreviver no universo dos serviços de streaming? Como vocês conseguem viver com essas mudanças, indo do analógico para o digital? 

O que mudou muito é que os artistas do hip-hop não fariam turnês antes. Eles venderiam 10 milhões de álbuns e comprariam mansões em Nova York. Agora, de repente, estão fazendo turnês. Agora, estamos competindo uns contra os outros. Há tanto entretenimento aqui! Circos, variedade de shows. Há muita coisa acontecendo! As pessoas estão mais críticas do que nunca. Se você for comprar um ingresso para um show, ele tem que ser muito bom. E eles podem te assistir no YouTube, dizer ‘Essa banda é horrível’ ou ‘Essa banda é boa’, qual banda é de verdade ou não. E, para ser honesto, isso tem trabalhado a nosso favor. Nós gravamos um show em Melbourne há cerca de 5 ou 6 anos e postamos no YouTube e esse show fez maravilhas para nós! As pessoas ficaram tipo ‘Merda, yeah, aquele cara sabe tocar!’ E muitas pessoas estavam me dizendo que ‘Eu vi aquele show no YouTube, então, quis ver vocês ao vivo.’ É uma época interessante. O fato de que a banda existe há vinte anos tem nos dado algum tipo de credibilidade, tem nos dado algum tipo de carimbo de aprovação ao longo do tempo. Nós somos um negócio real agora. Há dez anos, isso ainda era uma discussão. Agora, nós somos algo real. Você sabe, existem muitas bandas jovens por aí. Talvez, quando você está comprando um ingresso, você diria ‘Vou ver o Simple Plan, porque sei que eles farão um bom show.’

Não há dúvidas de que menos pessoas querem comprar álbuns na versão física. A maioria prefere o streaming, o torrent. O que você acha sobre todo esse panorama do download gratuito? Você é a favor ou contra?

Não tenho nada a dizer sobre isso. Se eu te levasse para o McDonald’s e lá tivesse um BigMac pelo qual você paga e o outro de graça, qual você escolheria? Além disso, seu governo nunca iria permitir que você roubasse o seu BigMac, mas todos os governos permitem que as pessoas roubem música. A realidade é: o que diabos os governos estão fazendo? Quem sou eu para reforçar isso? Eu sou só um cara em uma banda. Ficou tão fácil agora fazer download por streaming e agora eles estão custando, eu não sei, 15 dólares um streaming por mês e isso é provavelmente mais do que as pessoas gastariam em CDs. Quando eu era jovem, eu gastava tipo 500 dólares todos os anos em CDs ou mesmo em fitas, mas as pessoas não fazem mais isso. É claro, os serviços de streaming cortam um bom pedaço disso, mas se você tem bons números, isso na verdade volta para o artista. A Taylor Swift estava evitando os serviços de streaming e agora ela está voltando porque não está vendendo nenhum álbum.

Sim, você pode ver algo parecido com o Radiohead. Thom Yorke falou algumas frases ásperas sobre o YouTube, ele disse ‘Eles são como Nazis, roubando arte.’ Mas nós tínhamos visto até mesmo o Radiohead tentar ser apagado. Eles apareceram de novo no streaming universal. Até eles não conseguem escapar disso. 

É bom que pessoas com grandes nomes estão tomando uma posição. É claro, eles são hipócritas sobre isso, mas, pelo menos, isso acalma as coisas. Isso permite que uma transição aconteça.

E os recém-chegados, novas bandas que nasceram nisso?

Eu temo por eles. Estou assustado por eles. É perigoso.

Não há muito tempo, o baixista do Iron Maiden, Steve Harris, deu voz às suas preocupações sobre o trancamento de oportunidades para as bandas jovens de hoje. Ele disse ‘É mais difícil do que nunca ganhar uma oportunidade fazendo isso, mesmo que possam ter streaming, torrent, qualquer coisa.’ Eu acho que ele está certo, mas por que isso é tão difícil?

Sim, impossível até. De volta para quando começamos a banda, você ia para a estrada e os seus álbuns eram só uma desculpa para fazer turnês. E quando você tocava, era um acordo. Take the Police. Quando eles foram para os Estados Unidos, foi um evento muito bom. Iron Maiden foi feito desse jeito. Agora, você está competindo com todas essas bandas! Como você corta o barulho como uma banda jovem? Há muitas bandas legais por aí. Como você segue o seu caminho competindo com eles? É impossível. Os All Time Low foram espertos. Quando o Instagram e o Twitter surgiram, eles foram uns dos primeiros a participar e a usá-los. E eles começaram como um brilho e cresceram, cresceram e terminaram como um fenômeno das redes sociais. Foi assim que começou. Mas agora é quase impossível fazer o mesmo.

Nós temos visto que, nos anos 90, até mesmo bandas que não eram extremamente legais poderiam atrair milhares de pessoas. Agora, mesmo que você seja um gênio, é difícil motivar centenas. O que aconteceu?

É a internet e a produção! No passado, isso era caro. Agora, você pode fazer um álbum por 500 dólares, foda-se isso. Você pode fazer um álbum por nada! Isso é bom, é a democracia da arte. Mas é difícil agora ter seu nome lá fora, é difícil pra c*ralho. E eu não sei se isso vai mudar, mas eu vejo muitos lugares como a Hungria, nos quais as bandas locais são heroínas. Veja os Biffy Clyro. No Reino Unido, eles são enormes; nos EUA, não passam nem perto da grandiosidade que têm em casa.

Você tem algum conselho para uma banda jovem que está saindo do anonimato?

Elas têm que ser ativas nas redes sociais e estar de olho no que está por vir. Porque bandas como nós, nós  sempre estaremos um passo atrás. Você tem que entender o que está acontecendo. E você tem que entender que todo mundo tem ao menos seis amigos e tem a capacidade de atrair outras seis pessoas para a sua banda. Cada pessoa que você conhece. É o mesmo conselho que eu tive do meu produtor, Arnold Lanni. Ele disse: ‘Assim que você pisar fora da sua casa, você é uma estrela do rock. Você não é mais você mesmo. Você vai ser uma estrela do rock e vai convencer a si mesmo e aos outros de que você é!’. A ideia é que você tem que viver o estilo de vida de estar em uma banda. Isso significa que você terá que conduzir a sua banda e estar ciente do que está acontecendo, de quais são as tendências. Não há uma resposta simples ou uma solução simples. Esteja nas redes sociais, responda, siga e converse com seus fãs!

Existe algo que você quer fazer, mas que não conseguiu até agora?

Claro. Acho que essa banda ainda tem capacidade de crescer. Nós somos provavelmente a maior menor banda do mundo. Nós sempre estivemos em turnês com aquelas bandas loucas como Black Eyed Peas, Linkin Park, Metallica e nós sempre quase chegamos lá. Nós provavelmente temos capacidade de nos transformarmos na atração principal de um festival ao longo dos anos. Nós já fomos isso na Ásia, na América do Sul, mas na Europa é diferente. No evento do Rock Am Ring, comparado a legendários como Liam Gallagher, nós tivemos uma audiência enorme. Foi algo enorme. Conquistar a Europa de um jeito como esse iria ser legal.

UPDATE

Em nossa galeria, você já pode ver algumas fotos de Jeff Stinco durante a entrevista que foram divulgadas. Clique na imagem abaixo para conferir todas:

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